Durante muito tempo, acreditou-se que emagrecer significava simplesmente “eliminar” gordura do corpo. A realidade, porém, é bem mais complexa. Lucas Peralles explica que uma das maiores descobertas da fisiologia do tecido adiposo é que, na maioria dos casos, as células de gordura não desaparecem quando uma pessoa perde peso. Elas permanecem no organismo, mas passam por mudanças importantes de tamanho, atividade metabólica e comportamento biológico. Entender esse mecanismo é fundamental para compreender por que o emagrecimento sustentável exige muito mais do que reduzir o número mostrado na balança.
Essa informação também ajuda a responder uma das maiores dúvidas de quem já enfrentou o efeito sanfona: por que recuperar peso parece acontecer tão rapidamente? A resposta não está apenas na alimentação ou na força de vontade. O próprio tecido adiposo possui características biológicas que favorecem a recuperação das reservas energéticas quando o organismo interpreta que houve uma perda significativa de gordura.
As células de gordura desaparecem ou apenas encolhem?
O tecido adiposo é formado por células chamadas adipócitos. Quando ocorre ganho de peso, essas células armazenam triglicerídeos e aumentam de tamanho. Se o excesso de peso persiste por muitos anos, o organismo pode produzir novos adipócitos para acomodar a gordura excedente, aumentando também o número total dessas células.
Durante o emagrecimento acontece justamente o processo inverso: os adipócitos liberam parte da gordura armazenada e diminuem de volume, mas continuam presentes no organismo. Conforme explica Lucas Peralles, essa é uma característica evolutiva importante. O corpo foi desenvolvido para preservar sua capacidade de armazenar energia caso enfrente períodos de escassez alimentar, e não para eliminar permanentemente essas estruturas.
Por que isso dificulta o emagrecimento sustentável?
À primeira vista, pode parecer que adipócitos menores representam um problema resolvido. Entretanto, essas células permanecem metabolicamente ativas. Elas continuam produzindo hormônios, citocinas inflamatórias e moléculas que participam da regulação do apetite, da sensibilidade à insulina e do metabolismo energético.

Há um detalhe frequentemente ignorado: adipócitos que permaneceram aumentados durante muitos anos parecem conservar uma espécie de “memória biológica”. Embora esse conceito ainda esteja sendo investigado, pesquisas sugerem que alterações epigenéticas podem tornar essas células mais eficientes em recuperar gordura quando ocorre aumento da ingestão calórica. Na avaliação de Lucas Peralles, compreender esse fenômeno ajuda a explicar por que a manutenção do peso costuma ser mais difícil do que a própria perda inicial.
O tecido adiposo é apenas um depósito de gordura?
Durante décadas, acreditava-se que o tecido adiposo funcionava apenas como um reservatório energético. Hoje se sabe que ele atua como um verdadeiro órgão endócrino, produzindo dezenas de substâncias capazes de influenciar praticamente todo o organismo.
Sob essa perspectiva, Lucas Peralles observa que reduzir gordura corporal não significa apenas melhorar a estética. A diminuição do volume dos adipócitos pode reduzir processos inflamatórios crônicos, melhorar a sensibilidade à insulina, favorecer o controle glicêmico e diminuir fatores associados ao risco cardiovascular. Na experiência clínica da Clínica Peralles, esse entendimento faz com que o foco deixe de ser exclusivamente o peso corporal e passe a incluir indicadores muito mais relevantes de saúde metabólica.
Existe alguma forma de impedir que essas células voltem a armazenar gordura?
A resposta não está em eliminar adipócitos, mas em modificar o ambiente metabólico em que eles funcionam. Quando hábitos alimentares equilibrados, atividade física, sono adequado e controle do estresse tornam-se consistentes, essas células permanecem menores e metabolicamente menos desfavoráveis.
De acordo com o fundador do Método LP, Lucas Peralles, tentar combater o tecido adiposo com estratégias extremamente restritivas costuma produzir apenas resultados temporários. O emagrecimento sustentável depende da construção de autonomia alimentar e de comportamentos capazes de ser mantidos por muitos anos. Quando o organismo percebe estabilidade na rotina, as chances de recuperação rápida da gordura diminuem significativamente, ainda que os adipócitos continuem existindo.
Emagrecer transforma muito mais do que a aparência
Compreender o destino das células de gordura muda completamente a forma de enxergar o emagrecimento. Em vez de imaginar que o organismo simplesmente elimina essas estruturas, a ciência demonstra que ocorre uma profunda reorganização do funcionamento metabólico. Os adipócitos permanecem presentes, mas seu comportamento passa a depender diretamente do estilo de vida adotado após a perda de peso.
Diante desse panorama, Lucas Peralles reforça que o verdadeiro sucesso não está em “destruir” células de gordura, mas em criar condições para que elas deixem de representar um fator de risco metabólico. Esse princípio orienta o Método LP, aplicado na Clínica Peralles, onde o processo de emagrecimento sustentável é construído a partir da mudança de comportamento, da autonomia alimentar e da consistência, permitindo que os resultados sejam preservados de forma muito mais duradoura do que em abordagens baseadas apenas em dietas temporárias.