O empresário Tiago Oliva Schietti costuma retratar que, ao pesquisar cotas de consórcio disponíveis, é comum encontrar duas situações bem distintas: grupos recém-formados, que ainda estão completando o número de participantes, e grupos que já estão em andamento há alguns meses ou até anos. Essa diferença, embora pareça um detalhe técnico, pode influenciar diretamente as chances de contemplação e o perfil de risco de quem está entrando.
Em um grupo recém-formado, todos os participantes começam do mesmo ponto: ninguém foi contemplado ainda, e a disputa por sorteios e lances está apenas se iniciando. Já em um grupo em andamento, parte dos consorciados já pode ter sido contemplada, o que reduz o número de cotas concorrendo às próximas contemplações, um fator que, à primeira vista, parece favorável a quem entra depois.
A vantagem nem sempre é óbvia
Essa lógica de “menos concorrentes, mais chances” costuma atrair quem busca um caminho mais rápido até a contemplação, mas Tiago Oliva Schietti pondera que ela só se sustenta quando o grupo tem, de fato, um histórico saudável de contemplações regulares. Grupos com alto índice de inadimplência ou baixa adesão a lances, por exemplo, podem estar com o ritmo de contemplação mais lento do que o esperado, independentemente de quantos participantes já foram contemplados anteriormente.
Por essa razão, antes de decidir entre um grupo novo e um grupo em andamento, vale menos confiar apenas na proporção de cotas restantes e mais pedir à administradora o histórico real de sorteios e lances vencedores dos últimos meses daquele grupo específico, como recomenda Tiago Oliva Schietti a quem busca sua orientação nesse tipo de decisão.
O prazo restante muda a equação
Outro ponto relevante é o tempo que resta até o encerramento do grupo. Um grupo em andamento, mesmo com poucos participantes concorrendo, pode ter um prazo remanescente curto demais para quem não pretende dar lances e prefere aguardar apenas o sorteio. Nesse caso, entrar em um grupo mais próximo do fim pode, na prática, significar menos meses de sorteio disponíveis, e não necessariamente mais chances.
Já um grupo recém-formado oferece um horizonte mais longo, o que tende a beneficiar quem não tem pressa e prefere diluir o compromisso financeiro ao longo de mais tempo; ainda que isso também signifique aguardar mais para ser contemplado por sorteio, salvo decisão por dar um lance.

O valor da parcela também pode variar
Vale considerar ainda que grupos formados em momentos econômicos diferentes podem ter valores de parcela distintos, refletindo mudanças no preço do bem ou serviço ao longo do tempo. Um grupo mais antigo, por exemplo, pode ter sido formado com base em valores de mercado anteriores, o que às vezes resulta em condições diferentes das oferecidas em grupos recém-lançados pela mesma administradora.
O papel da assembleia de consorciados
Outro elemento que diferencia grupos novos de grupos em andamento é a rotina de assembleias, realizadas periodicamente para formalizar sorteios, registrar lances vencedores e prestar contas sobre a situação financeira do grupo. Quem entra em um grupo já em andamento pode, se desejar, solicitar à administradora os registros dessas assembleias anteriores, obtendo um retrato mais detalhado de como o grupo tem se comportado ao longo do tempo, informação que simplesmente não existe para quem está avaliando um grupo recém-formado, ainda sem histórico algum.
Na prática, qual escolher?
Tiago Oliva Schietti resume a decisão de forma direta: não existe resposta única entre grupo novo e grupo em andamento; existe a opção mais alinhada ao perfil de cada consorciado. Quem tem pressa para ser contemplado e disposição para dar lances pode se beneficiar de um grupo com menos concorrentes; quem prefere um horizonte de planejamento mais longo, sem pressão de prazo, tende a se sair melhor em um grupo recém-formado.
De todo modo, antes de decidir, vale sempre solicitar à administradora informações detalhadas sobre o histórico do grupo escolhido e, quando possível, buscar a orientação de um profissional especializado para avaliar qual opção conversa melhor com o momento financeiro de quem está prestes a aderir, recomendação que Tiago Oliva Schietti reforça sempre que o tema surge em conversas sobre planejamento de crédito.
