Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, destaca que a inteligência artificial já vem transformando etapas do trabalho criativo, inclusive no design de interiores, ao permitir gerar imagens, testar combinações e explorar diferentes possibilidades com mais rapidez. A tecnologia pode apoiar a visualização de conceitos e a comparação de estilos, materiais e composições antes da execução, mas não substitui a análise profissional necessária para avaliar circulação, proporção, ergonomia, orçamento e as necessidades de quem utilizará o ambiente.
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O que a inteligência artificial já consegue fazer?
Uma das aplicações mais conhecidas da IA no design de interiores está na geração de imagens. A partir de comandos escritos ou referências visuais, determinadas ferramentas conseguem apresentar propostas para um ambiente, alterar estilos, testar cores ou sugerir diferentes composições. O recurso pode reduzir o tempo necessário para transformar uma ideia inicial em uma representação visual. Isso permite analisar possibilidades com mais rapidez e identificar combinações que poderiam exigir mais tempo para serem desenvolvidas por métodos tradicionais.
Essa possibilidade também facilita a comparação entre alternativas. Em vez de imaginar isoladamente como determinada combinação poderia funcionar, o profissional pode explorar diferentes caminhos e observar resultados antes de avançar para etapas mais concretas. A tecnologia, nesse sentido, amplia o campo de experimentação. Com diferentes versões disponíveis, fica mais simples avaliar quais escolhas estão alinhadas ao conceito pretendido e quais precisam ser ajustadas antes da execução.
Daugliesi Giacomasi Souza avalia que esse tipo de recurso pode ser especialmente interessante quando utilizado como parte do processo criativo. A ferramenta ajuda a visualizar possibilidades, mas a seleção daquilo que realmente faz sentido continua dependendo da interpretação do projeto e das características de cada ambiente. A análise humana permanece necessária para transformar uma referência visual em uma solução adequada às necessidades do espaço e de seus usuários. Dessa forma, a IA atua como apoio, enquanto as decisões de projeto continuam exigindo conhecimento e critério profissional.
A IA consegue entender o que uma casa realmente precisa?
Segundo Daugliesi Giacomasi Souza, essa é uma das principais limitações da tecnologia quando aplicada ao design de interiores. Uma imagem pode parecer visualmente interessante e, ainda assim, apresentar problemas práticos. Um móvel pode bloquear uma passagem, uma bancada pode ter altura inadequada ou determinado material pode não ser compatível com a rotina dos moradores. Por isso, uma representação gerada por IA não deve ser confundida com um projeto pronto para execução, já que aspectos técnicos precisam ser avaliados de forma individual.

O projeto de interiores envolve informações que nem sempre podem ser traduzidas apenas por uma referência visual. Há hábitos, necessidades de armazenamento, frequência de uso dos ambientes, composição familiar e preferências pessoais que precisam ser compreendidos antes de qualquer decisão. Considerar essas características ajuda a garantir que as escolhas atendam não apenas à aparência do espaço, mas também à forma como ele será utilizado no dia a dia.
A tecnologia pode mudar a relação com o cliente?
Pode, principalmente porque torna mais simples apresentar possibilidades durante o desenvolvimento de um projeto. O cliente consegue visualizar com maior clareza diferentes direções estéticas e participar de decisões antes da execução. Essa comunicação mais visual pode reduzir a distância entre aquilo que é explicado e aquilo que a pessoa imagina. Com isso, ajustes podem ser identificados ainda nas etapas iniciais, evitando que determinadas escolhas sejam percebidas apenas quando o projeto já estiver em execução.
Também existe uma mudança na quantidade de alternativas que podem ser exploradas. Antes, testar diversas possibilidades dependia de um processo mais demorado de criação e representação. Com ferramentas digitais, algumas variações podem ser produzidas rapidamente, permitindo que ideias sejam descartadas, ajustadas ou combinadas. Essa agilidade favorece um processo mais dinâmico, no qual diferentes caminhos podem ser avaliados antes da definição da proposta final.
Daugliesi Giacomasi Souza observa que essa velocidade precisa ser acompanhada de critério. Ter muitas imagens disponíveis não significa necessariamente ter um projeto melhor. O valor está em transformar as possibilidades encontradas em escolhas coerentes com o espaço, e não em acumular referências. A tecnologia pode ampliar as opções, mas cabe ao profissional selecionar aquelas que realmente contribuem para o resultado desejado.
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