A Prefeitura de Aracaju está recorrendo à experiência de Campinas, no interior de São Paulo, para organizar uma política de proteção destinada a crianças e adolescentes afastados temporariamente do convívio familiar. O município sergipano avançou na estruturação do serviço Família Acolhedora, mas a iniciativa ainda não está em funcionamento pleno e permanece em fase de implantação.
A informação foi divulgada em 14 de outubro de 2026 pela Prefeitura de Aracaju, em publicação vinculada à Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social. Segundo o órgão, equipes da pasta participaram de um intercâmbio técnico em Campinas para conhecer experiências e aperfeiçoar os procedimentos necessários à criação do serviço na capital sergipana.
Como deve funcionar o Família Acolhedora
A proposta prevê que crianças e adolescentes afastados do convívio com seus familiares por determinação judicial sejam recebidos temporariamente por famílias previamente selecionadas, capacitadas e acompanhadas pela rede socioassistencial. O modelo se diferencia da acolhida em instituições porque o atendimento ocorre no ambiente de uma família cadastrada para essa finalidade.
Esse acolhimento não representa, conforme a descrição apresentada pelo município, uma mudança definitiva na vida da criança ou do adolescente. Trata-se de uma medida provisória vinculada a uma situação de afastamento determinada pela Justiça. Durante esse período, o serviço deverá contar com organização e acompanhamento da rede responsável pela proteção social, enquanto são conduzidos os encaminhamentos relacionados à situação familiar.
Na prática, a implantação exige que o município estabeleça como será o processo de seleção das famílias, quais capacitações serão oferecidas e de que maneira ocorrerá o acompanhamento dos acolhidos e dos responsáveis pelo acolhimento. A publicação oficial informa que a estruturação está em andamento, mas não apresenta uma data para o início efetivo do atendimento nem detalha o número de famílias que poderão participar.
Intercâmbio técnico orienta planejamento em Aracaju
A visita a Campinas foi apresentada como uma oportunidade de troca de conhecimentos sobre a execução do serviço. A experiência de outro município serve como referência para que Aracaju aperfeiçoe sua própria organização, considerando os procedimentos necessários para receber, acompanhar e proteger crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
O intercâmbio também indica que a Prefeitura ainda trabalha na definição do formato local da política. A etapa é importante porque o acolhimento familiar depende da atuação articulada entre profissionais da assistência social e os demais integrantes da rede de proteção. A iniciativa, portanto, não se resume ao cadastramento de famílias: envolve preparação, acompanhamento e definição de fluxos para os casos encaminhados pela Justiça.
Para os moradores de Aracaju, o avanço anunciado representa a possibilidade de criação de uma alternativa de acolhimento temporário dentro da política municipal de assistência social. No entanto, a divulgação não informa quando haverá inscrições, quais serão os critérios para as famílias interessadas ou quais regiões da cidade serão atendidas inicialmente. Essas informações deverão ser apresentadas pelo município em etapas posteriores da implantação.
Serviço ainda depende de novas definições
Como o Família Acolhedora ainda está sendo estruturado, não é possível afirmar que o atendimento já esteja disponível para crianças, adolescentes ou famílias interessadas. A informação confirmada até o momento é que a Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social busca aperfeiçoar a proposta a partir do contato com a experiência de Campinas.
Também não foram divulgados, na publicação consultada, detalhes sobre a duração de cada acolhimento, o formato do acompanhamento profissional ou os procedimentos para o desligamento do serviço. Esses pontos são fundamentais para que a população compreenda como a política funcionará e quais responsabilidades serão assumidas pelas famílias participantes.
O município deverá comunicar posteriormente as regras de participação e os canais oficiais de informação. Até lá, eventuais interessados devem aguardar a divulgação de orientações formais da Prefeitura de Aracaju, sem considerar que o cadastramento ou o acolhimento já estejam abertos. A implantação anunciada reforça o foco da administração municipal na organização de uma política específica para a proteção de crianças e adolescentes afastados judicialmente do convívio familiar.
