Elias Assum Sabbag Junior, como empresário e especialista em embalagens plásticas, acompanha de perto um movimento que deixou de ser discurso e passou a ser método dentro das fábricas de transformação plástica. O setor de embalagens corrugadas atravessa, em 2026, uma reconfiguração que não nasce apenas da pressão regulatória sobre resíduos, mas de uma exigência mais difícil de equacionar: tornar cada estrutura reciclável sem comprometer a performance que justificou sua escolha em primeiro lugar.
Até pouco tempo, reciclabilidade e desempenho técnico eram tratados como variáveis em rota de colisão. Embalagens multicamadas, laminadas com polímeros incompatíveis entre si, garantiam barreira a oxigênio e umidade, mas dificultavam, ou inviabilizavam, a reciclagem mecânica no pós-consumo. Esse paradigma está sendo substituído por uma lógica de projeto que nasce já pensando no fim do ciclo, e não apenas no início da prateleira.
A mudança não é cosmética. Ela reorganiza decisões de engenharia, escolha de resina, processo produtivo e, em última instância, a forma como o setor de transformação plástica se posiciona diante de uma cadeia de valor cada vez mais escrutinada por clientes industriais, varejo e órgãos reguladores.
Qual é o futuro do design e da fabricação com a ascensão do monomaterial?
Durante anos, a engenharia de embalagens corrugadas e flexíveis resolveu o problema da barreira combinando camadas de diferentes polímeros, uma solução tecnicamente eficaz, mas que criava uma barreira invisível à reciclagem. Estruturas laminadas com EVOH, poliamida ou alumínio entregavam proteção superior, porém exigiam processos de separação inviáveis em escala industrial nas cooperativas e centrais de triagem.
A resposta da indústria foi migrar para estruturas monomateriais, predominantemente à base de polietileno ou polipropileno, utilizando tecnologias de orientação molecular que mantêm propriedades de barreira sem recorrer à mistura de polímeros incompatíveis. Conforme explica o empresário e especialista em embalagens plásticas, esse movimento representa uma mudança estrutural mais profunda do que parece à primeira vista: trata-se de repensar a química do material antes de pensar na máquina que vai processá-lo.
O desafio técnico não é trivial. Manter a maquinabilidade em linhas de envase de alta velocidade, preservar a resistência à perfuração e sustentar a barreira a vapor d’água sem o reforço de camadas heterogêneas exige avanços em aditivação e em processos de coextrusão. Esse é o tipo de problema que separa quem apenas acompanha a tendência de quem efetivamente lidera a transição.

Plástico corrugado: o material que virou ativo de produtividade
Enquanto a discussão pública sobre sustentabilidade tende a focar no destino final do material, a indústria está olhando para outro ponto da equação: a embalagem corrugada como ativo direto de eficiência produtiva. Falhas de selagem, índices de refugo por milhar, tempo de setup de máquina e taxas de devolução tornaram-se métricas tão relevantes quanto a composição do material.
Segundo Elias Assum Sabbag Junior, essa convergência entre sustentabilidade e produtividade não é coincidência, é consequência direta da pressão de margem que atinge toda a cadeia petroquímica desde o início de 2026. Com custos de insumo voláteis e juros ainda elevados pressionando o crédito industrial, cada ponto percentual de refugo evitado se traduz em competitividade real, não apenas em discurso ambiental.
Padronizar especificações por máquina e por SKU, validando em linha real antes da produção em escala, reduz retrabalho e perdas em rotas logísticas longas. Na avaliação do especialista em embalagens plásticas, esse tipo de disciplina operacional é o que diferencia fabricantes que tratam o design para reciclagem como projeto estratégico daqueles que o tratam como ajuste cosmético de marketing.
Quais são os desafios para transformar a intenção de economia circular em ação prática?
A economia circular aplicada à indústria de transformação plástica deixou de ser um capítulo isolado em relatórios de sustentabilidade corporativa. Ela passa, em 2026, a ser tratada como variável de projeto desde a primeira decisão de engenharia, o que muda substancialmente o papel de quem desenvolve a embalagem.
Compostos plásticos complexos que antes eram simplesmente descartados após o uso agora podem ser reintroduzidos na cadeia produtiva, desde que o design original tenha considerado esse retorno. Isso exige diálogo constante entre quem projeta a embalagem, quem a recicla e quem a reintroduz como matéria-prima, um ciclo que só funciona quando há coordenação real entre os elos.
Conforme detalha Elias Assum Sabbag Junior, a integração de materiais reciclados pós-consumo (PCR) em estruturas corrugadas tem avançado, mas ainda enfrenta limitações relacionadas à consistência de qualidade da resina reciclada e à disponibilidade de volume em escala industrial. Fechar esse ciclo de forma econômica e tecnicamente confiável continua sendo um dos pontos de maior atenção do setor.
A Cartonale figura entre as empresas que acompanham essa agenda de perto, incorporando princípios de gestão ambiental e eficiência produtiva à própria rotina industrial, não como exceção, mas como prática que tende a se tornar padrão setorial à medida que a regulação avança e os clientes corporativos passam a exigir rastreabilidade de origem do material.
Os erros recorrentes que ainda travam a transição
Nem toda iniciativa de sustentabilidade aplicada se traduz em ganho real. Um dos erros mais comuns identificados na indústria é tratar o design para reciclagem como adaptação posterior, e não como princípio de projeto desde a concepção da embalagem. Adicionar uma camada reciclável a uma estrutura já definida raramente entrega o mesmo resultado de repensar a arquitetura do zero.
Outro equívoco frequente é subestimar a logística reversa. De acordo com análise de Elias Assum Sabbag Junior, uma embalagem tecnicamente reciclável, mas sem infraestrutura municipal ou industrial capaz de coletá-la e processá-la, tem impacto ambiental prático limitado. Assim, o design precisa estar alinhado à realidade da cadeia de coleta e triagem disponível na região onde a embalagem será descartada, não apenas à teoria do material.
Há também o risco de comunicação: rotular uma embalagem como “sustentável” sem evidência verificável de redução de impacto expõe a marca a questionamentos crescentes, especialmente diante de consumidores e órgãos reguladores cada vez mais atentos a alegações ambientais vagas ou não comprováveis.
O que vem depois: competitividade industrial como consequência da sustentabilidade aplicada
O setor de embalagens corrugadas caminha para um cenário em que sustentabilidade aplicada e competitividade industrial deixam de ser objetivos paralelos e passam a ser a mesma equação. A pressão regulatória sobre resíduos, a exigência de rastreabilidade por parte de grandes marcas e a necessidade de eficiência produtiva diante de margens pressionadas convergem para um único caminho: embalagens projetadas para performance e para reciclagem simultaneamente.
À luz do que frisa Elias Assum Sabbag Junior, os próximos anos devem consolidar o design para reciclagem como critério de projeto padrão, e não como diferencial opcional. Empresas que já internalizaram essa lógica, incorporando monomateriais, lightweighting, materiais pós-consumo e gestão de logística reversa à própria engenharia de produto, tendem a sair na frente quando a regulação ambiental se tornar mais rígida, o que é uma tendência praticamente certa no horizonte de médio prazo.
A indústria de transformação plástica brasileira, da qual a Cartonale faz parte, observa esse movimento como parte de um processo mais amplo de maturação setorial: a transição de uma indústria que respondia à sustentabilidade por exigência externa para uma indústria que a trata como vetor de inovação em materiais, eficiência produtiva e redução de desperdícios ao longo de toda a cadeia.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez